sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O perdão

Um dia a felicidade extrema bate a sua porta, no outro você percebe que amigos só existem quando não há interesses pessoais envolvidos. Que vida! Que estranha montanha russa que me faz pensar que devo ter algum tipo de carma, que pessoas são capazes de num piscar de olhos mudar totalmente o que sempre te disseram sobre lealdade e o que repugnavam em outras pessoas, somente para conquistar um objetivo que precisava passar por cima de mim. Percepção tardia da própria vontade ou apenas desejo de testar os limites do próprio controle? Tristeza e ódio, sentimentos inevitáveis às vezes, principalmente ante à deslealdade, atitude esta que baní da minha lista de autorizações de perdão.
Perdoei demais, 3 vezes uma, 8 outra, 12 outra, fora as amizades e de tanto perdoar percebi que pessoas interpretam o perdão como uma permissão, como se você estivesse dizendo à elas que podem realizar seu feito novamente pois não te magoou tanto quanto pareceu. Pois a verdade, é que perdão para mim sempre foi uma maneira de dizer: “você é mais importante do que isto apesar do quanto isto me magoou”. Muitos são os amigos e amores que obtiveram meu perdão apenas para ter a chance de me magoar novamente, e eles tem se tornado muito bons nisto. Lealdade, é a base de te toda amizade, talvez de todo relacionamento humano, ela nasce do respeito e molda a confiança. Ser leal é amparar, cuidar, auxiliar. Um amigo tem que ser leal! E o que dizer quando uma das pessoas que mais conquista tua confiança faz um esforço descomunal para te afastar daquilo que te faz feliz? O que dizer dele quando ele consegue isto? Em parte, pela tua não reação ante à perplexidade em que você ficou.
Na minha estrada perdoei algumas deslealdades, até decidir que deslealdade demonstra desprezo e indiferença, qualidades que não quero ao meu lado pois não gosto de não confiar. Preciso ter plena confiança em meus amigos pois são eles meu porto seguro e é com eles que gosto de conversar, é para eles que conto as verdades do que me faz feliz e do que me entristece e se eu não posso confiar neles, se minha felicidade causará consequente reação contrária, são na verdade inimigos próximos tentando me estudar para entender o que usar contra mim.
"Deslealdade"! Soa pesado aos meus ouvidos, soa doloroso ao meu coração, se fosse me deixar entregue aos desígnios do asco que me dá, seria eu como todos os outros, mas não, tem está parte em mim que sempre me impediu de dar o primeiro soco, que sempre me disse que vingança não é necessária pois naturalmente os anjos cuidam de dar um jeito e fazer a sua justiça.
Colegas levam tempo à se tornarem amigos, amigos só levam um segundo à se tornarem colegas, alguns, nunca mais verão um olhar do meu lado bom, terão que se contentar com a cordialidade daquele que só aparece para lidar com este tipo de gente. Deslealdade, a primeira atitude à sair da minha lista de possíveis perdões! Por que justo tu tinha que cometer tal ato? Por que tanta soberba em não admitir o que fez? Somos homens, conhecemos como somos e eu já enxergava sem querer ver, sabia o que você fazia, mas nunca esperei deslealdade de ti, esperava tua mudança baseada nos laços fraternais que tinhamos. Ainda hoje me impressiona a força que o ódio tem, de ver as coisas por um outro prisma sem querer, de passar o dia com uma tensão forte na cabeça, desta adrenalina que corre as veias e te faz dormir e acordar sentindo o mesmo nível de ódio. Meu anjo quis ir atrás de você ontem, num lampejo de mim eu não o permiti, não sei o que ele faria, mas ele quis. Não há como dizer em palavras o tamanho da minha magoa por ti, o quanto te considerei e o tamanho da repulsa que sinto agora, mas como sempre, deixarei que o destino te mostre a importância dos amigos.

Felipe Dionísio Prestes

Em uma distinta cidade ao sul do país morava um jovem chamado Felipe Dionísio Prestes. Ele tinha vontade de realizar grandes feitos, o que demandava muito conhecimento e tempo. Porém o rapaz era apressado e esperava conquistar tudo o mais rápido possível.
Nosso obstinado jovem entrou para uma firma que realizava projetos de reparos que eram importantes para pequenas empresas e passou a ser o segundo setor, recebendo os projetos que vinham da recepção e decidindo se realizava ele mesmo o reparo necessário ou se repassaria aos arquitetos para realizarem o serviço. Ele ganharia uma quantia por cada projeto feito e logo no primeiro mês passou a realizar três vezes mais projetos que os seus companheiros de serviço. Seus companheiros que realizavam em média 10 projetos ao dia se viram desconfiados quando aquele jovem, recém chegado, passou a realizar 30 projetos no mesmo tempo. Um dia as canetas sumiram e só foram compradas novas no final do expediente, os colegas, desanimados, realizaram 3 ou 4 projetos com muito esforço, ainda assim, Felipe Dionísio Prestes conseguiu a impressionante marca de 23 projetos.
Um dia, um dos colegas do rapaz descobriu um projeto que havia sido dado como encerrado por ele sem alterações e no mesmo dia ainda encontrou outro. A notícia se espalhou, o paladino estava encerrando projetos sem ao menos realizar as alterações necessárias, no mesmo dia uma das moças da recepção veio à um superior dele e trouxe uma pilha de projetos não alterados que os clientes tinham devolvido para que fossem desta vez realizados corretamente. Ela apontou a assinatura de Felipe Dionísio Prestes e citou que o jovem era um irresponsável.
Conforme as especulações cresciam, o rapaz se sentia cada vez mais ofendido, ele vociferou à todos que não havia realizado nenhum processo fora do padrão. Então, todos que falaram contra o rapaz foram chamados à uma reunião onde o superior citou a eles que deveriam se espelhar nele para realizar os projetos pois a empresa também recebia por projeto realizado e ele por consequência, citou que o rapaz estava certo e que nenhum procedimento fôra realizado fora do padrão.
O jovem obstinado logo foi promovido após premiação por seu serviço inigualável e, assim que pode, conheceu o proprietário da empresa e conseguiu dele o lugar do superior que o protegera. Com o novo salário Felipe Dionísio Prestes pode então realizar seu sonho de fazer doutorado. Hoje seus feitos são conhecidos em todo lugar e por onde passa é saudado por todos exatamente como o que está escrito na porta de seu escritório: “Dr. F.D.P.”

Todos juntos para lama

Alguém é capaz de lhe dizer o que fazer? O discurso dos conselheiros de plantão é sempre o mesmo: "liberdade"; puta ideal de merda, vocês nem sabem o que isto quer dizer, pois se soubessem entenderiam que liberdade é um processo e não uma condição. Ficam bradando por ai que querem ser livres, o que exige disciplina e vocês não à tem. Podem fazer o que quiser, isto é verdade, mas fazer o que se quer implica saber o que se quer sob pena de se tornar escravo dos conselhos a deriva num solitário mar de autoaceitação. És livre? Quero ver então você fazer algo por sua própria vida, quero ver caminhar a passos largos para chegar onde você quer e não onde disseram que você deveria estar. Será que terás que se tornar um velho caquético de noventa e tantos anos para perceber que promiscuidade não leva a nada além de um pouco de prazer momentâneo e brando? Para entender que a vida sem amor é um tremendo vazio, um abismo de dor do qual não se consegue escapar? Será?
Casamento, ui! Vocês fogem igual a um bando de bichas quando vêem uma barata, porque não o entendem, não percebem o prazer de fazer bem a alguém e ver esta pessoa fazer bem a você todos os dias, da intimidade de estarem juntos, construindo alguma coisa e conhecendo cada detalhe do corpo e da mente um do outro. Não compreendem liberdade, de se estar ao lado de alguém mesmo podendo não estar.
Acham que são importantes, independentes, mas só eu sei quantos destes conselheiros fodões eu precisei amparar em meus braços sofrendo de solidão. Eu mesmo sofro de solidão. Não é isto o que espero, mas é o que tenho nas mãos. Ai vem me dizer o que? Que estes ai estão certos? Eles só saem bonitos na foto dizendo quantas pessoas os desejam! Ou você acha que no mundo de hoje é difícil ser comedor? Mas eu sei o que é liberdade então me permito parecer alguém que não é desejado por ninguém simplesmente porque jamais me permitirei me igualar a eles. E vocês, que acreditam nesta falsa liberdade pregada por estes fodões? Não enxergam o que está diante de seus olhos, só vêem o mundo que eles permitiram que vocês vejam, fazem exatamente o que eles, que sabotaram a própria felicidade por não entender o que é liberdade, aconselham vocês a fazerem. Serão tão infelizes quanto eles e, devo dizer, são a mais idiota de todas as gerações. Querem provar o que? Que aguentam 40 pessoas diferentes? De quantos vocês sabiam o nome? Quantos deles se preocuparam com algo além da hora do próprio gozo? Vocês nem sabem o que é felicidade e ficam ai aconselhando outros a serem "felizes" como vocês, que são só uns solitários de merda que choram no ombro de quem ainda tem um pouco de juízo.
Nasci sim na época errada e não merecia ter que ver o que vocês fazem a si mesmos, no entanto estou aqui, todos os dias tentando ajudar mais um solitário "livre" ou mais um adepto desta maldita seita que converte aqueles fadados a verdadeira liberdade e rouba deles a luz que eles tinham. Não reclamem de infelicidade pois o maior projeto de vida de vocês é um belo Ménage à trois.
Me intriga pensar sobre quantas gerações mais iremos perder até entender que liberdade só existe quando se sabe o que quer?

Por trás da máscara


O mundo não é um lugar fácil de se viver. Quantas pessoas realmente se preocupam com o sofrimento que causam a outras? Toda cobrança é em si ruim pois exige que seja feito algo que deveria ser espontâneo. Ser sensível e sensitivo te torna duplamente vulnerável neste mundo. É difícil para as pessoas perceberem teu pedido de socorro, tudo se torna pior quando você precisa de alguém e ao mesmo tempo sente a angústia de outra pessoa. Você sabe quem é porque teu sentir nunca foi esparso, porém sabe também que é alguém que entregaste a própria sorte, você não vai ajudar, mas ainda sente a sua angústia, fora a tua própria e ainda precisas de alguém que te levante e te faça suportar tanta dor dentro de ti.
A paz é algo de preço incalculável e a vida remete à este ideal. É incrível sentir solidão quando se está cercado de pessoas, ser o único a dizer a verdade em meio a tantas mentiras, o único a viver aquilo que escreve mesmo sabendo que o ideal que prega é doloroso pois demanda um mundo mais justo que em verdade não existe.
É mesmo este o lugar para ser alguém? Que triste é nascer pensante em meio à ditadura do uniforme, da vida sem perspectiva do trabalhador fabril. Todos alinhados em frente à um pensamento que não pode levar-lhes a lugar nenhum. Esperam um líder, esperam alguém que os liberte, alguém que não é você pois estais ocupado demais tentando libertar a sua própria vida.
Quem pode evitar a solidão? Cedo ou tarde ela aparece, não é que você tenha medo de si mesmo pois trabalhou muito tempo aprendendo a lidar com este ser, mas é que você já o conhece tão bem, não há desafios em ti para ele, ou nele para ti. Precisas de algo que te desafie a ser melhor do que és. E onde encontrarás pessoas com tal capacidade neste mundo? Complexa vida, complexo depressivo que és. Por que tentas achar solução para todos os problemas que encontras? Não poderias cuidar só dos teus? É que quando cuidas do problema de alguém te sentes menos solitário, muito embora permaneça assim já que após o fim do curto desafio volta a ti a exata noção de que és apenas mais um em meio á uma multidão de outros.
As vezes pensas que és melhor do que eles, as vezes tens a certeza de que não és e isto torna teus dias piores, saber que não sabes nem mesmo tua própria importância. Que vida!
Ao menos tens ainda esperança, mas quanto tempo ela irá durar? Podes reconstruí-la se ela ruir? Mas por quanto tempo? Até a esperança demanda uma matéria prima limitada e a continuar neste ritmo cedo ou tarde serás também um velho amargo que já não espera nada além da própria morte.
Esperança! Que ideia boba de vida. Querias mesmo ver teus sonhos realizados? Deverias ter tido mais cuidado e se importado menos com as pessoas que encontraste no caminho. E agora? Para onde irás? Eu sei que tu não sabes, já estais cansado de errar, de ser somente mais um, queres ser único nem que apenas para um alguém. Mas quem és tu para ter tamanha importância? "Sou aquele que eu sempre quis ser" vociferas. Grande merda que tu és, és apenas mais um que passou a vida tentando ser maior do que o próprio tamanho e agora percebe que não passa de um bastardo tentando ter um pouco de glória.
Não basta querer ter intelecto para possuir um. Mas tu ainda continuas a buscar por isto. Boa sorte, ficarei aqui a rir de ti, sabendo que teus sonhos são altos demais para tua alçada e que mesmo com o rótulo que tu me deste, permaneço aqui, sabendo quem eu sou e sem ter ter que me preocupar em quem quero ser, sem tentar ser maior do que o tamanho que fui destinado à ter.
Porque tu, tu mostras a cara todo dia. Já eu, apenas manifesto teu ódio, sou apenas as palavras que tu precisas mas não queres dizer, sou apenas alguém que entende muito bem, quem é você! Alguém que conhece todos os teus "porquês"

O Castelo de Supplice

A escuridão tomava conta da pequena aldeia de supplice, a única luz vinha da fogueira em torno da qual todos dançavam. O clima festivo se dava pela boa colheita obtida aquele ano, o vinho era servido em abundância e a comida era farta.
Entre uma dança e outra, ouviu-se o som de um sino tocado ao longe, vindo do alto de um morro onde quase imperceptível jazia um castelo. A feição de todos se tornava mais tensa a cada nova badalada, todos correram, fecharam as portas e se esconderam aonde era possível; ao longe se ouviu um grito seguido de um rosnado ameaçador, então o silêncio e o som do mastigar de um animal. Quando o dia amanheceu fez-se a contagem dos sobreviventes, a família do morto estava desconsolada, mas sabia que nada era capaz de mudar o que havia acontecido. Hamilton, um jovem inglês que estava no local a passeio, tentou entender o que se passava e porque não havia uma reunião de homens corajosos para ir a caça do animal. Um dos anciãos contou-lhe que por vários anos tentaram e nenhum homem voltou com vida das expedições, até que um dia, quando a aldeia estava quase dizimada, o estranho morador do castelo acabou domesticando o animal. As vezes ele escapava e era isto que acontecia, mas desde então as mortes eram muito poucas e conformar-se com a própria sorte era o que de melhor se podia fazer. O animal sempre sabia quem era a vitima da vez e não havia porta capaz de detê-lo.
Hamilton não concordava, pois de onde vinha os problemas exigiam solução e por isto mesmo decidiu-se por ir até o castelo enfrentar tal criatura e libertar o povoado. O ancião alertou-lhe que não seria uma boa ideia, mas ele não deu ouvidos e seguiu.
O sol estava alto no céu quando ele chegou aos grandes portões da propriedade, um dos lados estava caído o que deixava livre a passagem de quem ali chegasse. Pensou que era natural que o animal escapasse com tamanho descuido, tentou observar pelas janelas para dentro do castelo que mais parecia uma ruína sem vida, mas nada pôde enxergar. Puxou as pesadas argolas de ferro que estavam penduradas na porta e soltou-as. O barulho do ferro batendo na madeira foi seguido por um latido forte e pela voz de um homem que pedia calma ao animal.
- Perdoe-me a demora, meu cão estava um pouco agitado e precisei conte-lo. Diga-me! Em que posso ajuda-lo?
- Sou Hamilton, comerciante inglês, estava na aldeia ontem a noite.
- Imagino que não tenha sido uma experiência agradável.
- Não, e vim aqui para libertar aquele povo.
- Você não sabe o que diz, vamos, pare com esta besteira enquanto ainda está vivo.
- Um animal não pode fazer o que bem entender, e se você não pode conte-lo darei um jeito eu mesmo.
- Ninguém pode conte-lo, nem mesmo eu. O ódio só o torna mais forte e é por isto que o mantenho aqui o máximo possível, pois nem eu nem ele encontramos motivos para ódio isolados aqui.
- Não entendo.
- Todas as expedições falharam porque não o entendiam, eram compostas por homens cheios de ódio em seus corações, ele os sente e se alimenta deles. Sua força que já é gigantesca aumenta mais toda vez que sente o ódio em alguém. Então o encontrei na mata, não o conhecia, não sabia de seus atos, apenas cuidei de algumas feridas e ele passou a me seguir, desde então parou de atacar o povoado. Demorou muito até eu perceber que nenhum muro poderia conte-lo, então guardei minhas lembranças em um baú velho, pois percebi que ele ficava mais agitado conforme eu me exaltava pelos sentimentos que aquilo trazia e que ter as lembranças à mão era uma maneira de liberta-lo. Notei que ele só sai quando sente que há alguém tomado de ódio nas redondezas, Então pus um sino no castelo, para avisar aos moradores quando ele sai daqui, muito embora não haja nada que possa ser feito.
- Eu o farei - bradou Hamilton - onde ele esta?

Então o animal pulou por detrás da escada que levava ao segundo piso, o senhor do castelo tentava acalma-lo enquanto o ódio nos olhos de Hamilton era substituído pelo medo, num descuido, o homem se desvencilhou e correu o quanto pode, até desaparecer daquelas terras. O animal, em parte contido pelo seu bem feitor, em parte por não suportar a presença do medo desistiu de atacar o viajante.
Por todo lugar onde passava, Hamilton contava a história da feroz criatura que vivia escondida em um castelo e se alimentava do ódio das pessoas, um ser tão terrível que não podia ser contido, somente respeitado, pois na presença de um sentimento tão destrutivo ele se libertava e tornava-se ele mesmo a destruição.

by Arthur Lingard

E se tudo nã passar de uma ilusão?


E se não houverem vitórias? E se tudo não passar de uma ilusão? E se o futuro fosse apenas uma repetição do presente que pode ou não vir a acontecer? Haveria algum crédito em ser ou deixar de ser alguém? E que valor então teria o pensar no futuro? 
A vitória é apenas uma ilusão, assim como a honra. Quem seriam os considerados mais aptos? Os vitoriosos ganham em parte por terem seus anseios vociferados e proferidos porem perdem, porque nenhuma luta é simples e abriram mão de muitas coisas para que sua conquista fosse possível. Os derrotados perderam mais e neste sentido, a vitória é somente um jogo onde um perde mais e outro menos. Mas há aqueles guiados pela honra, que serão mártires ou somente lembrados por não se renderem as exigências dos que tinham mais força. Ainda assim, sua honra não os ajudará e não ajudará a sua causa, apenas renderá a eles mais uma página na história. Qual o valor de um único ser num universo de sete bilhões de pessoas? É sempre lindo a história de alguém que morreu lutando, mas a verdade é que se percebessem o quanto seu sacrifício é inútil, simplesmente fariam como tem feito todos os outros, aqueles que não tem honra.
De que adianta gritar aos quatro ventos os erros do mundo? De que adianta vociferar a todos eles, que eles caminham para a desgraça? Ninguém te ouvirá, um segue o outro. O último da fila já não sabe quem é o primeiro e nem porque faz as coisas que faz, mas faz, porque é para onde todo mundo vai.
E se não houver um amanhã? Quem pode condena-los por tentar viver um prazer momentâneo? A verdade é que ninguém é especial, somos todos iguais, então não há porque condenar quem troca um amor por um momento, pois ninguém perdeu nada, apenas perceberam que podem ser de outros, já que somos todos iguais. Não há motivo para ser de um só.
Eu? Eu não. Eu apenas consegui ver o que eles veem, mas ainda não quis acreditar, ainda espero ver algo diferente nos olhos de alguém, ainda creio que cada pessoa é insubstituível, muito embora eu já tenha percebido que até mesmo eu, sou apenas mais uma nuance neste mundo em tons de cinza. E quem é que não percebeu ainda isto em si? De olhar para dentro e entender que não há nenhum motivo para alguém querer estar apenas com você, para alguém te escolher em meio à uma multidão. Um dia você percebe o que não queria ver, que o conto de fadas morreu. Para de acreditar que o amor é possível, para de acreditar que alguém irá te escolher, para de acreditar que terá uma família, ao invés disto, passa a crer que sua vida será feita de pequenos momentos e que não há nada errado em não pensar no futuro já que ele não existe. Você até se sentiria fracassado, mas passou a entender que o fracasso não existe e que a derrota é apenas um outro tipo de decepção igual a todas as outras que você se acostumou a presenciar. Começa a perder a fé nas pessoas e perceber que honra é apenas uma maneira diferente de derrota. Por fim, você se pega pensando enquanto caminha:
Quantas lagrimas são necessárias para trocar uma essência?

o que vc tem que te torne digno de realizar os teus sonhos e planos?

Um belo dia você acorda e percebe que as coisas que você mais desejou não dependem somente de você. Um belo dia você passa a entender que o foco em seu objetivo te fez esquecer da aparência necessária e mesmo de alguns detalhes imprescindíveis a construção do mesmo!
Então você nota que não tem absolutamente nada, que quando achou que estava próximo dos portões de entrada da sua redenção, esta na verdade no início da estrada com um carro quebrado que você não sabe como consertar.
A vida vai nos tornando amargos, vai nos mostrando que sonhos não são feitos pra qualquer pessoa, que realizações na verdade são ápices de luxo dados apenas a alguns sortudos. Um dia você percebe que esta andando em círculos e que teu ponto de vista não é compreensível aos demais.
Você não tem mais lágrimas para chorar, você não tem mais sombra pra se deitar, você não tem mais a que se apegar. É perigoso a um ser humano o momento em que realmente morrem seu sonhos, a falta da esperança que era posta neles, que eram o motivo do teu caminhar, que eram o norte da tua vida, faz com que não haja mais um motivo para levantar.
Cada novo instante me mostra um novo degrau, e de quantas pessoas mais eu preciso ouvir que não sou capaz de realizar meus anseios? quantos mais vão me dizer que não sou digno de um plano tão grande quanto o meu? a quantos mais terei que provar meu valor?
Não entendo ainda o porque disto tudo, o real porque que é a única fonte real de poder, que é aquilo que vai determinar se você estará próximo do seu sonho ou se, como eu, você estará nadando em círculos em prol de algo que você permeia alcançar mais que não sabe se um dia irá chegar.
Não entendo ainda o porque tamanho do meu medo, mais começo a entender meu real tamanho, começo a entender que posso fazer com que tantos engulam suas palavras, começo a entender que quando eu tiver terminado as pessoas terão que baixar a cabeça e silenciosamente concordarem que estavam errados a meu respeito ... no fim eu era capaz!
porque ou por que, é junto ou separado? quando eu entender isto, estarei pronto a mostrar aquilo que ninguém quer ver!