sexta-feira, 21 de setembro de 2012

O perdão

Um dia a felicidade extrema bate a sua porta, no outro você percebe que amigos só existem quando não há interesses pessoais envolvidos. Que vida! Que estranha montanha russa que me faz pensar que devo ter algum tipo de carma, que pessoas são capazes de num piscar de olhos mudar totalmente o que sempre te disseram sobre lealdade e o que repugnavam em outras pessoas, somente para conquistar um objetivo que precisava passar por cima de mim. Percepção tardia da própria vontade ou apenas desejo de testar os limites do próprio controle? Tristeza e ódio, sentimentos inevitáveis às vezes, principalmente ante à deslealdade, atitude esta que baní da minha lista de autorizações de perdão.
Perdoei demais, 3 vezes uma, 8 outra, 12 outra, fora as amizades e de tanto perdoar percebi que pessoas interpretam o perdão como uma permissão, como se você estivesse dizendo à elas que podem realizar seu feito novamente pois não te magoou tanto quanto pareceu. Pois a verdade, é que perdão para mim sempre foi uma maneira de dizer: “você é mais importante do que isto apesar do quanto isto me magoou”. Muitos são os amigos e amores que obtiveram meu perdão apenas para ter a chance de me magoar novamente, e eles tem se tornado muito bons nisto. Lealdade, é a base de te toda amizade, talvez de todo relacionamento humano, ela nasce do respeito e molda a confiança. Ser leal é amparar, cuidar, auxiliar. Um amigo tem que ser leal! E o que dizer quando uma das pessoas que mais conquista tua confiança faz um esforço descomunal para te afastar daquilo que te faz feliz? O que dizer dele quando ele consegue isto? Em parte, pela tua não reação ante à perplexidade em que você ficou.
Na minha estrada perdoei algumas deslealdades, até decidir que deslealdade demonstra desprezo e indiferença, qualidades que não quero ao meu lado pois não gosto de não confiar. Preciso ter plena confiança em meus amigos pois são eles meu porto seguro e é com eles que gosto de conversar, é para eles que conto as verdades do que me faz feliz e do que me entristece e se eu não posso confiar neles, se minha felicidade causará consequente reação contrária, são na verdade inimigos próximos tentando me estudar para entender o que usar contra mim.
"Deslealdade"! Soa pesado aos meus ouvidos, soa doloroso ao meu coração, se fosse me deixar entregue aos desígnios do asco que me dá, seria eu como todos os outros, mas não, tem está parte em mim que sempre me impediu de dar o primeiro soco, que sempre me disse que vingança não é necessária pois naturalmente os anjos cuidam de dar um jeito e fazer a sua justiça.
Colegas levam tempo à se tornarem amigos, amigos só levam um segundo à se tornarem colegas, alguns, nunca mais verão um olhar do meu lado bom, terão que se contentar com a cordialidade daquele que só aparece para lidar com este tipo de gente. Deslealdade, a primeira atitude à sair da minha lista de possíveis perdões! Por que justo tu tinha que cometer tal ato? Por que tanta soberba em não admitir o que fez? Somos homens, conhecemos como somos e eu já enxergava sem querer ver, sabia o que você fazia, mas nunca esperei deslealdade de ti, esperava tua mudança baseada nos laços fraternais que tinhamos. Ainda hoje me impressiona a força que o ódio tem, de ver as coisas por um outro prisma sem querer, de passar o dia com uma tensão forte na cabeça, desta adrenalina que corre as veias e te faz dormir e acordar sentindo o mesmo nível de ódio. Meu anjo quis ir atrás de você ontem, num lampejo de mim eu não o permiti, não sei o que ele faria, mas ele quis. Não há como dizer em palavras o tamanho da minha magoa por ti, o quanto te considerei e o tamanho da repulsa que sinto agora, mas como sempre, deixarei que o destino te mostre a importância dos amigos.

Felipe Dionísio Prestes

Em uma distinta cidade ao sul do país morava um jovem chamado Felipe Dionísio Prestes. Ele tinha vontade de realizar grandes feitos, o que demandava muito conhecimento e tempo. Porém o rapaz era apressado e esperava conquistar tudo o mais rápido possível.
Nosso obstinado jovem entrou para uma firma que realizava projetos de reparos que eram importantes para pequenas empresas e passou a ser o segundo setor, recebendo os projetos que vinham da recepção e decidindo se realizava ele mesmo o reparo necessário ou se repassaria aos arquitetos para realizarem o serviço. Ele ganharia uma quantia por cada projeto feito e logo no primeiro mês passou a realizar três vezes mais projetos que os seus companheiros de serviço. Seus companheiros que realizavam em média 10 projetos ao dia se viram desconfiados quando aquele jovem, recém chegado, passou a realizar 30 projetos no mesmo tempo. Um dia as canetas sumiram e só foram compradas novas no final do expediente, os colegas, desanimados, realizaram 3 ou 4 projetos com muito esforço, ainda assim, Felipe Dionísio Prestes conseguiu a impressionante marca de 23 projetos.
Um dia, um dos colegas do rapaz descobriu um projeto que havia sido dado como encerrado por ele sem alterações e no mesmo dia ainda encontrou outro. A notícia se espalhou, o paladino estava encerrando projetos sem ao menos realizar as alterações necessárias, no mesmo dia uma das moças da recepção veio à um superior dele e trouxe uma pilha de projetos não alterados que os clientes tinham devolvido para que fossem desta vez realizados corretamente. Ela apontou a assinatura de Felipe Dionísio Prestes e citou que o jovem era um irresponsável.
Conforme as especulações cresciam, o rapaz se sentia cada vez mais ofendido, ele vociferou à todos que não havia realizado nenhum processo fora do padrão. Então, todos que falaram contra o rapaz foram chamados à uma reunião onde o superior citou a eles que deveriam se espelhar nele para realizar os projetos pois a empresa também recebia por projeto realizado e ele por consequência, citou que o rapaz estava certo e que nenhum procedimento fôra realizado fora do padrão.
O jovem obstinado logo foi promovido após premiação por seu serviço inigualável e, assim que pode, conheceu o proprietário da empresa e conseguiu dele o lugar do superior que o protegera. Com o novo salário Felipe Dionísio Prestes pode então realizar seu sonho de fazer doutorado. Hoje seus feitos são conhecidos em todo lugar e por onde passa é saudado por todos exatamente como o que está escrito na porta de seu escritório: “Dr. F.D.P.”

Todos juntos para lama

Alguém é capaz de lhe dizer o que fazer? O discurso dos conselheiros de plantão é sempre o mesmo: "liberdade"; puta ideal de merda, vocês nem sabem o que isto quer dizer, pois se soubessem entenderiam que liberdade é um processo e não uma condição. Ficam bradando por ai que querem ser livres, o que exige disciplina e vocês não à tem. Podem fazer o que quiser, isto é verdade, mas fazer o que se quer implica saber o que se quer sob pena de se tornar escravo dos conselhos a deriva num solitário mar de autoaceitação. És livre? Quero ver então você fazer algo por sua própria vida, quero ver caminhar a passos largos para chegar onde você quer e não onde disseram que você deveria estar. Será que terás que se tornar um velho caquético de noventa e tantos anos para perceber que promiscuidade não leva a nada além de um pouco de prazer momentâneo e brando? Para entender que a vida sem amor é um tremendo vazio, um abismo de dor do qual não se consegue escapar? Será?
Casamento, ui! Vocês fogem igual a um bando de bichas quando vêem uma barata, porque não o entendem, não percebem o prazer de fazer bem a alguém e ver esta pessoa fazer bem a você todos os dias, da intimidade de estarem juntos, construindo alguma coisa e conhecendo cada detalhe do corpo e da mente um do outro. Não compreendem liberdade, de se estar ao lado de alguém mesmo podendo não estar.
Acham que são importantes, independentes, mas só eu sei quantos destes conselheiros fodões eu precisei amparar em meus braços sofrendo de solidão. Eu mesmo sofro de solidão. Não é isto o que espero, mas é o que tenho nas mãos. Ai vem me dizer o que? Que estes ai estão certos? Eles só saem bonitos na foto dizendo quantas pessoas os desejam! Ou você acha que no mundo de hoje é difícil ser comedor? Mas eu sei o que é liberdade então me permito parecer alguém que não é desejado por ninguém simplesmente porque jamais me permitirei me igualar a eles. E vocês, que acreditam nesta falsa liberdade pregada por estes fodões? Não enxergam o que está diante de seus olhos, só vêem o mundo que eles permitiram que vocês vejam, fazem exatamente o que eles, que sabotaram a própria felicidade por não entender o que é liberdade, aconselham vocês a fazerem. Serão tão infelizes quanto eles e, devo dizer, são a mais idiota de todas as gerações. Querem provar o que? Que aguentam 40 pessoas diferentes? De quantos vocês sabiam o nome? Quantos deles se preocuparam com algo além da hora do próprio gozo? Vocês nem sabem o que é felicidade e ficam ai aconselhando outros a serem "felizes" como vocês, que são só uns solitários de merda que choram no ombro de quem ainda tem um pouco de juízo.
Nasci sim na época errada e não merecia ter que ver o que vocês fazem a si mesmos, no entanto estou aqui, todos os dias tentando ajudar mais um solitário "livre" ou mais um adepto desta maldita seita que converte aqueles fadados a verdadeira liberdade e rouba deles a luz que eles tinham. Não reclamem de infelicidade pois o maior projeto de vida de vocês é um belo Ménage à trois.
Me intriga pensar sobre quantas gerações mais iremos perder até entender que liberdade só existe quando se sabe o que quer?

Por trás da máscara


O mundo não é um lugar fácil de se viver. Quantas pessoas realmente se preocupam com o sofrimento que causam a outras? Toda cobrança é em si ruim pois exige que seja feito algo que deveria ser espontâneo. Ser sensível e sensitivo te torna duplamente vulnerável neste mundo. É difícil para as pessoas perceberem teu pedido de socorro, tudo se torna pior quando você precisa de alguém e ao mesmo tempo sente a angústia de outra pessoa. Você sabe quem é porque teu sentir nunca foi esparso, porém sabe também que é alguém que entregaste a própria sorte, você não vai ajudar, mas ainda sente a sua angústia, fora a tua própria e ainda precisas de alguém que te levante e te faça suportar tanta dor dentro de ti.
A paz é algo de preço incalculável e a vida remete à este ideal. É incrível sentir solidão quando se está cercado de pessoas, ser o único a dizer a verdade em meio a tantas mentiras, o único a viver aquilo que escreve mesmo sabendo que o ideal que prega é doloroso pois demanda um mundo mais justo que em verdade não existe.
É mesmo este o lugar para ser alguém? Que triste é nascer pensante em meio à ditadura do uniforme, da vida sem perspectiva do trabalhador fabril. Todos alinhados em frente à um pensamento que não pode levar-lhes a lugar nenhum. Esperam um líder, esperam alguém que os liberte, alguém que não é você pois estais ocupado demais tentando libertar a sua própria vida.
Quem pode evitar a solidão? Cedo ou tarde ela aparece, não é que você tenha medo de si mesmo pois trabalhou muito tempo aprendendo a lidar com este ser, mas é que você já o conhece tão bem, não há desafios em ti para ele, ou nele para ti. Precisas de algo que te desafie a ser melhor do que és. E onde encontrarás pessoas com tal capacidade neste mundo? Complexa vida, complexo depressivo que és. Por que tentas achar solução para todos os problemas que encontras? Não poderias cuidar só dos teus? É que quando cuidas do problema de alguém te sentes menos solitário, muito embora permaneça assim já que após o fim do curto desafio volta a ti a exata noção de que és apenas mais um em meio á uma multidão de outros.
As vezes pensas que és melhor do que eles, as vezes tens a certeza de que não és e isto torna teus dias piores, saber que não sabes nem mesmo tua própria importância. Que vida!
Ao menos tens ainda esperança, mas quanto tempo ela irá durar? Podes reconstruí-la se ela ruir? Mas por quanto tempo? Até a esperança demanda uma matéria prima limitada e a continuar neste ritmo cedo ou tarde serás também um velho amargo que já não espera nada além da própria morte.
Esperança! Que ideia boba de vida. Querias mesmo ver teus sonhos realizados? Deverias ter tido mais cuidado e se importado menos com as pessoas que encontraste no caminho. E agora? Para onde irás? Eu sei que tu não sabes, já estais cansado de errar, de ser somente mais um, queres ser único nem que apenas para um alguém. Mas quem és tu para ter tamanha importância? "Sou aquele que eu sempre quis ser" vociferas. Grande merda que tu és, és apenas mais um que passou a vida tentando ser maior do que o próprio tamanho e agora percebe que não passa de um bastardo tentando ter um pouco de glória.
Não basta querer ter intelecto para possuir um. Mas tu ainda continuas a buscar por isto. Boa sorte, ficarei aqui a rir de ti, sabendo que teus sonhos são altos demais para tua alçada e que mesmo com o rótulo que tu me deste, permaneço aqui, sabendo quem eu sou e sem ter ter que me preocupar em quem quero ser, sem tentar ser maior do que o tamanho que fui destinado à ter.
Porque tu, tu mostras a cara todo dia. Já eu, apenas manifesto teu ódio, sou apenas as palavras que tu precisas mas não queres dizer, sou apenas alguém que entende muito bem, quem é você! Alguém que conhece todos os teus "porquês"

O Castelo de Supplice

A escuridão tomava conta da pequena aldeia de supplice, a única luz vinha da fogueira em torno da qual todos dançavam. O clima festivo se dava pela boa colheita obtida aquele ano, o vinho era servido em abundância e a comida era farta.
Entre uma dança e outra, ouviu-se o som de um sino tocado ao longe, vindo do alto de um morro onde quase imperceptível jazia um castelo. A feição de todos se tornava mais tensa a cada nova badalada, todos correram, fecharam as portas e se esconderam aonde era possível; ao longe se ouviu um grito seguido de um rosnado ameaçador, então o silêncio e o som do mastigar de um animal. Quando o dia amanheceu fez-se a contagem dos sobreviventes, a família do morto estava desconsolada, mas sabia que nada era capaz de mudar o que havia acontecido. Hamilton, um jovem inglês que estava no local a passeio, tentou entender o que se passava e porque não havia uma reunião de homens corajosos para ir a caça do animal. Um dos anciãos contou-lhe que por vários anos tentaram e nenhum homem voltou com vida das expedições, até que um dia, quando a aldeia estava quase dizimada, o estranho morador do castelo acabou domesticando o animal. As vezes ele escapava e era isto que acontecia, mas desde então as mortes eram muito poucas e conformar-se com a própria sorte era o que de melhor se podia fazer. O animal sempre sabia quem era a vitima da vez e não havia porta capaz de detê-lo.
Hamilton não concordava, pois de onde vinha os problemas exigiam solução e por isto mesmo decidiu-se por ir até o castelo enfrentar tal criatura e libertar o povoado. O ancião alertou-lhe que não seria uma boa ideia, mas ele não deu ouvidos e seguiu.
O sol estava alto no céu quando ele chegou aos grandes portões da propriedade, um dos lados estava caído o que deixava livre a passagem de quem ali chegasse. Pensou que era natural que o animal escapasse com tamanho descuido, tentou observar pelas janelas para dentro do castelo que mais parecia uma ruína sem vida, mas nada pôde enxergar. Puxou as pesadas argolas de ferro que estavam penduradas na porta e soltou-as. O barulho do ferro batendo na madeira foi seguido por um latido forte e pela voz de um homem que pedia calma ao animal.
- Perdoe-me a demora, meu cão estava um pouco agitado e precisei conte-lo. Diga-me! Em que posso ajuda-lo?
- Sou Hamilton, comerciante inglês, estava na aldeia ontem a noite.
- Imagino que não tenha sido uma experiência agradável.
- Não, e vim aqui para libertar aquele povo.
- Você não sabe o que diz, vamos, pare com esta besteira enquanto ainda está vivo.
- Um animal não pode fazer o que bem entender, e se você não pode conte-lo darei um jeito eu mesmo.
- Ninguém pode conte-lo, nem mesmo eu. O ódio só o torna mais forte e é por isto que o mantenho aqui o máximo possível, pois nem eu nem ele encontramos motivos para ódio isolados aqui.
- Não entendo.
- Todas as expedições falharam porque não o entendiam, eram compostas por homens cheios de ódio em seus corações, ele os sente e se alimenta deles. Sua força que já é gigantesca aumenta mais toda vez que sente o ódio em alguém. Então o encontrei na mata, não o conhecia, não sabia de seus atos, apenas cuidei de algumas feridas e ele passou a me seguir, desde então parou de atacar o povoado. Demorou muito até eu perceber que nenhum muro poderia conte-lo, então guardei minhas lembranças em um baú velho, pois percebi que ele ficava mais agitado conforme eu me exaltava pelos sentimentos que aquilo trazia e que ter as lembranças à mão era uma maneira de liberta-lo. Notei que ele só sai quando sente que há alguém tomado de ódio nas redondezas, Então pus um sino no castelo, para avisar aos moradores quando ele sai daqui, muito embora não haja nada que possa ser feito.
- Eu o farei - bradou Hamilton - onde ele esta?

Então o animal pulou por detrás da escada que levava ao segundo piso, o senhor do castelo tentava acalma-lo enquanto o ódio nos olhos de Hamilton era substituído pelo medo, num descuido, o homem se desvencilhou e correu o quanto pode, até desaparecer daquelas terras. O animal, em parte contido pelo seu bem feitor, em parte por não suportar a presença do medo desistiu de atacar o viajante.
Por todo lugar onde passava, Hamilton contava a história da feroz criatura que vivia escondida em um castelo e se alimentava do ódio das pessoas, um ser tão terrível que não podia ser contido, somente respeitado, pois na presença de um sentimento tão destrutivo ele se libertava e tornava-se ele mesmo a destruição.

by Arthur Lingard

E se tudo nã passar de uma ilusão?


E se não houverem vitórias? E se tudo não passar de uma ilusão? E se o futuro fosse apenas uma repetição do presente que pode ou não vir a acontecer? Haveria algum crédito em ser ou deixar de ser alguém? E que valor então teria o pensar no futuro? 
A vitória é apenas uma ilusão, assim como a honra. Quem seriam os considerados mais aptos? Os vitoriosos ganham em parte por terem seus anseios vociferados e proferidos porem perdem, porque nenhuma luta é simples e abriram mão de muitas coisas para que sua conquista fosse possível. Os derrotados perderam mais e neste sentido, a vitória é somente um jogo onde um perde mais e outro menos. Mas há aqueles guiados pela honra, que serão mártires ou somente lembrados por não se renderem as exigências dos que tinham mais força. Ainda assim, sua honra não os ajudará e não ajudará a sua causa, apenas renderá a eles mais uma página na história. Qual o valor de um único ser num universo de sete bilhões de pessoas? É sempre lindo a história de alguém que morreu lutando, mas a verdade é que se percebessem o quanto seu sacrifício é inútil, simplesmente fariam como tem feito todos os outros, aqueles que não tem honra.
De que adianta gritar aos quatro ventos os erros do mundo? De que adianta vociferar a todos eles, que eles caminham para a desgraça? Ninguém te ouvirá, um segue o outro. O último da fila já não sabe quem é o primeiro e nem porque faz as coisas que faz, mas faz, porque é para onde todo mundo vai.
E se não houver um amanhã? Quem pode condena-los por tentar viver um prazer momentâneo? A verdade é que ninguém é especial, somos todos iguais, então não há porque condenar quem troca um amor por um momento, pois ninguém perdeu nada, apenas perceberam que podem ser de outros, já que somos todos iguais. Não há motivo para ser de um só.
Eu? Eu não. Eu apenas consegui ver o que eles veem, mas ainda não quis acreditar, ainda espero ver algo diferente nos olhos de alguém, ainda creio que cada pessoa é insubstituível, muito embora eu já tenha percebido que até mesmo eu, sou apenas mais uma nuance neste mundo em tons de cinza. E quem é que não percebeu ainda isto em si? De olhar para dentro e entender que não há nenhum motivo para alguém querer estar apenas com você, para alguém te escolher em meio à uma multidão. Um dia você percebe o que não queria ver, que o conto de fadas morreu. Para de acreditar que o amor é possível, para de acreditar que alguém irá te escolher, para de acreditar que terá uma família, ao invés disto, passa a crer que sua vida será feita de pequenos momentos e que não há nada errado em não pensar no futuro já que ele não existe. Você até se sentiria fracassado, mas passou a entender que o fracasso não existe e que a derrota é apenas um outro tipo de decepção igual a todas as outras que você se acostumou a presenciar. Começa a perder a fé nas pessoas e perceber que honra é apenas uma maneira diferente de derrota. Por fim, você se pega pensando enquanto caminha:
Quantas lagrimas são necessárias para trocar uma essência?

o que vc tem que te torne digno de realizar os teus sonhos e planos?

Um belo dia você acorda e percebe que as coisas que você mais desejou não dependem somente de você. Um belo dia você passa a entender que o foco em seu objetivo te fez esquecer da aparência necessária e mesmo de alguns detalhes imprescindíveis a construção do mesmo!
Então você nota que não tem absolutamente nada, que quando achou que estava próximo dos portões de entrada da sua redenção, esta na verdade no início da estrada com um carro quebrado que você não sabe como consertar.
A vida vai nos tornando amargos, vai nos mostrando que sonhos não são feitos pra qualquer pessoa, que realizações na verdade são ápices de luxo dados apenas a alguns sortudos. Um dia você percebe que esta andando em círculos e que teu ponto de vista não é compreensível aos demais.
Você não tem mais lágrimas para chorar, você não tem mais sombra pra se deitar, você não tem mais a que se apegar. É perigoso a um ser humano o momento em que realmente morrem seu sonhos, a falta da esperança que era posta neles, que eram o motivo do teu caminhar, que eram o norte da tua vida, faz com que não haja mais um motivo para levantar.
Cada novo instante me mostra um novo degrau, e de quantas pessoas mais eu preciso ouvir que não sou capaz de realizar meus anseios? quantos mais vão me dizer que não sou digno de um plano tão grande quanto o meu? a quantos mais terei que provar meu valor?
Não entendo ainda o porque disto tudo, o real porque que é a única fonte real de poder, que é aquilo que vai determinar se você estará próximo do seu sonho ou se, como eu, você estará nadando em círculos em prol de algo que você permeia alcançar mais que não sabe se um dia irá chegar.
Não entendo ainda o porque tamanho do meu medo, mais começo a entender meu real tamanho, começo a entender que posso fazer com que tantos engulam suas palavras, começo a entender que quando eu tiver terminado as pessoas terão que baixar a cabeça e silenciosamente concordarem que estavam errados a meu respeito ... no fim eu era capaz!
porque ou por que, é junto ou separado? quando eu entender isto, estarei pronto a mostrar aquilo que ninguém quer ver!

Eu não te perdoei!

Eu não te perdoei por tudo que você me fez sofrer, eu não te perdoei, pelas noites sem dormir pensando sobre o que eu poderia fazer para tornar tua vida mais simples, eu não te perdoei, por ter feito uma pessoa tão ruim como ele fazer parte da minha vida, eu não te perdoei, por ter me feito acreditar que eu não era bom o suficiente, eu não te perdoei, por ter me traído quando ainda estava comigo, não te perdoei, por ter descoberto tudo sobre a mulher dele no dia seguinte a saber que ele iria casar, eu não te perdoei pelo vexame, eu não te perdoei pelos xingamentos, eu não te perdoei pela distância, eu não te perdoei pela dedicação perdida, eu não te perdoei pela mentira, eu não te perdoei pelos dias tentando fazer tudo ser perfeito para você e te ver chegar e ver só os defeitos. Eu não te perdoei, pelas fotos não explicadas, eu não te perdoei, pelas escolhas tomadas, eu não te perdoei por ter se afastado de mim, pelas noites que eu te procurei em vão, eu não te perdoei por ter pensado nele estando comigo, eu não te perdoei, por ter dormido em camas separadas, eu não te perdoei a covardia de não ter me contado nada, nem as mentiras que acreditei serem verdades. Ainda assim, eu te permiti chegar perto o suficiente para abrir um rombo em mim talvez do tamanho de todos os outros que foi me mostrar que não havendo fatores que impedissem ainda assim sua escolha seria ele.
Eu não te perdoei, por me mostrar que sou apenas um meio de puni-lo quando ele não é tudo que você espera e por me mostrar que ele é tão importante para você, que mesmo após tantas surras e mesmo após um tapa na cara você ainda opta por estar com ele quando poderia estar comigo, mas o trouxa ainda te ama, o trouxa ainda te da espaço e te permite fazer estrago, cagar de novo com a minha vida. Você é um furacão no exato significado que o mesmo tem para quem o enfrenta, quando chega traz destruição e morte e por mais que eu sempre me sinta preparado para te enfrentar, sempre há uma brecha que esqueci de fechar.
Só fico imaginando como você consegue ter a capacidade de mentir olhando em meu olhos! Eu sei que quando você diz: "porque é tão diferente com você?" é porque neste tempo provou de outro e percebeu a diferença, eu sei que quando você vira o rosto para eu não te beijar é porque já se acostumou a faze-lo e se esquece de quem eu sou. Você não me ama, você ama o que eu represento e o que eu faço por ti, justamente pelo motivo que me mantém tão ligado a você, eu sim, eu te amo e faço qualquer coisa por você, até aguentar esta dor de saber que você se importou tanto que ainda estou esperando o telefone tocar!

-- by Arthur Lingard

O mal do século

É pedir demais uma mulher que seja capaz de amar, uma que não fuja dos problemas e que consiga ser fiel? Começo a achar que sim. Tantas mulheres casadas ou namorando que conheço e nenhuma, isto mesmo, nenhuma foi capaz de ser fiel! Nenhuma foi capaz de dizer que faria qualquer coisa por amor, pelo contrário, quando falam do homem perfeito começam a descreve-lo pelo bolso. Não falo só das que passaram pela minha vida, mas também das minhas amigas, conhecidas e dos relacionamentos dos meus amigos.
Tudo que eu e a maioria dos homens desejamos é alguém que tenha a coragem de estar ao nosso lado, começando do zero e suportando as dificuldades que vierem para, ai sim, ver a plenitude das coisas. Tudo que se acha neste mundo são pessoas, principalmente as mulheres, preocupadas com o status, esperando ver a coisa pronta para se permitir viver, quando a verdade é que a gente precisa construir o que deseja.
Quero entender o que se passa, preciso entender! Mas a busca pelo status fez as mulheres pensarem que ser independente, ou seja, não precisar de um homem em sua visão, era ser melhor que as outras quando na verdade isto as torna mesquinhas, proprietárias de um amor próprio falsamente inflado que pisa os sentimentos dos outros e impedem a sua própria felicidade. "Eu me amo" virou bandeira de uma sociedade doente, como diria Renato Russo, amar ao próximo se tornou demodé, fazendo com que o mal do século se fortalecesse. Sim, a solidão se tornou permanente e disseminada, fazendo de nós a mais triste de todas as gerações e nos levando a ser estopim de uma geração de velhos infelizes e amargos, que vão dizer que curtiram a vida sentindo dentro de si a falta dela. Só que a gente não vê isto hoje, somos muito jovens para pensar no futuro, vivemos o agora esperando que as coisas aconteçam naturalmente. Mas tudo isto um dia será claro como o cristal, quando nossa geração chegar a certa idade e perceber que é tarde demais para mudar suas escolhas. Triste ver uma safra inteira de jovens perdida, jogada no lixo, porque valem menos que o papel que utilizam no banheiro.
A vida sem amor não vale a pena, mas a nossa geração nem sabe que ele existe e quando o encontra trata de fugir, correr o mais longe que pode, trata de sufoca-lo, porque amor é perigoso, pode te fazer prisioneiro de alguém, dependente, alguém visto como débil numa sociedade que prega que a felicidade verdadeira só vem de si, o amor é um sentimento forte, pode te tornar alguém capaz de atos não aceitos aos conceitos atuais, pode te fazer feliz, o que te torna perigoso, pois felicidade verdadeira que só é gerada pelo amor, pode te fazer acordar! Durma com todos, pois estar acordado neste mundo é a pior das dores.
Talvez seja bela a ignorância, quisera eu conseguir ser como os outros e dormir, me permitindo massacrar os acordados, pular de cama em cama, quem sabe assim, na ignorância, mesmo sem ser feliz, eu pudesse não ser triste, arrancar esta dor do meu peito e então deixar de chorar!

Eu precisava disto!


Eu precisava disto, eu não me permiti sentir dor, não me deixei chorar pelo que aconteceu, não consegui digerir as coisas de tão pasmo, de tão surpreendido, só deixei as coisas continuarem caminhando e fingi que estava tudo normal.
Até agora eu fingi bem, pra todos eu era a muralha, pra todos eu era aquele que não sentia a falta, nem os mais próximos viram, mais sim, eu chorei, hoje eu chorei muito, chorei por 6 vezes, chorei por tudo que abri mão, chorei porque permiti a meu coração mostrar pra mim uma parcela do tamanho da minha dor, e céus, nem uma garrafa de vinho foi capaz de me fazer dormir, será que é tão impossível assim enterrar ela no passado? por que meu coração quer tanto isto? por que eu não desligo o telefone na cara dela? por que eu deixo que ela fale? eu choro por tudo que ela me fez e nem assim consigo pensar com ódio nela.
Não quero mais dor, não quero mais instabilidade, eu sei que se eu cedo é só pra ela ter o gostinho de me pisar de novo. Ela ainda visita meus sonhos, ela ainda passeia por meus pensamentos, as vezes ela chega a assombrar meus planos, por que? por que eu permito isto? Mas como não permitir? Negar o que sinto é negar a mim mesmo, é tentar me enganar, droga, ninguém sabe o que é estar na minha pele, ninguém sabe o que é sentir isto, o que é ter o coração ligado a alguém e não saber o que fazer pra se desligar disto.
Dói, e não adianta, não importa o que eu faço, eu sinto solidão, uma solidão que me invade, que me toma e que me torna amargo, me torna ator de um teatro no palco das ilusões onde todos vêem uma face sorridente que se desfaz assim que ninguém esta olhando. Pela primeira vez na minha vida, sofrer não é opcional, e já não sei o que fazer pra acabar com esta dor. Eu a quero, se for definitivo, mas eu sei que não é, então não quero, não quero alguém por alguns instantes, não quero alguém pra me mostrar o que é ser feliz e me deixar me mostrando o que é ser infeliz de verdade, quero alguém que esteja do meu lado, nas horas boas e ruins, alguém que não me abandone, por dinheiro, por religião, por insegurança, por nada.

A flor


O tribunal estava lotado, todos com caras de ódio observando àquela que tinha cometido tão grave crime.
A promotoria se esforçava em demonstrar a gravidade do ato cometido e a defesa em explicar que o ilícito era apenas uma tentativa de imprimir o lúdico a pessoas tão desprovidas de beleza em seu dia a dia.
As senhoras mais exaltadas ressaltavam a importância de uma punição severa que demonstrasse que tal atitude jamais seria tolerada naquela cidade, seria uma maneira de mostrar a todos que por ali passassem, que ali era um local onde a família era respeitada e que qualquer um que tentasse repetir aquela condenável atitude teria o mesmo destino.
Testemunhas detalhavam enfaticamente o ocorrido e tentavam demonstrar o quanto aquilo era inescrupuloso e que a ré não demonstrava o menor remorso pelo crime cometido. Ela por sua vez parecia estar em outro planeta observando a arquitetura do lugar, hora assustada, hora achando engraçado a ênfase na fala daquelas pessoas.
Então o juiz chamou a criminosa ao banco das testemunhas para dar a sua declaração, o advogado de defesa protestou, mas foi inevitável.
O promotor logo perguntou o porquê de tal ato e a garota respondeu que todos pareciam tão sérios e bravos naquela cidade, que ela pensou que pintar uma flor na calçada talvez arrancasse alguns sorrisos e melhorasse a vida dos que ali viviam. Uma mulher se levantou e disse que pichações não eram aceitas por ali e que este tipo de ato devia ser enfaticamente reprimido, pois mesmo que por um motivo nobre, não reprimi-lo seria automaticamente dar um recado a outros pichadores de que poderiam se safar.
A garota então disse que não esperava que todos se irritassem daquela maneira e que se seu desenho era tão ofensivo ela mesma o limparia. Ela ainda citou que havia se mudado recentemente, mas achava que as pessoas daquele lugar precisavam de mais amor pois estavam o tempo todo preocupadas com a aparência de suas casas e se esqueciam de dar valor as pessoas, que são a única coisa que realmente importa. Terminado de dizer isto ela deu uma rosa ao promotor e um beijo em sua bochecha, pediu desculpas e prometeu não mais repetir sua atitude tão desprezível.
O juiz se emocionou com o depoimento e decidiu inocentar a garota de 3 anos que tinha cometido o grave crime de pintar uma flor na calçada com seu giz de cera e por tal motivo irritado os habitantes daquela pequena cidade ao sul da Califórnia.

O FRACASSO!



A vida regrada pelas paixões mal resolvidas, pelos desejos confinados e principalmente pelo prazer momentâneo. Acho que errei muitas vezes em buscar o que era imediato ansiando pelo que era permanente e permitindo que tudo chegasse ao limite do inaceitável na tentativa de manter o pouco que havia conquistado que na verdade era apenas ilusão. Então você para pra pensar nas escolhas que já fez, analisa seu passado e descobre que seu maior erro é que seus planos não dependiam só de você!
Então, entende que seu mundo é idealizado e que tudo que ansiou é apenas uma projeção de um pensamento inflado que não irá se realizar!
Vê que seus desejos devem ser terrenos e que pensar no futuro
é apenas uma forma de perder o presente!
Entende seu erro mas não consegue se livrar do seu passado, não consegue deixar de querer o que quis desde sempre e então você morre. Morre por dentro porque seus planos são parte de ti, morre porque no seu modo de ver é melhor morrer tentando do que desistir!
Amigos, família, amores ...
quem em verdade é capaz de tirar este vazio tão grande que ninguém vê?
Um vazio que se tornou parte dos teus dias, que a cada dia te machuca um pouco mais mostrando tua impotência e incapacidade de mudar teus dias e que de tão presente você o conhece e chama pelo nome ...

O FRACASSO!

Carta à ninguém

São dois anos, dois anos de lutas em vão, dois anos de perdas, dois anos acreditando em tudo que você me dizia e descobrindo que grande parte do que acreditei era mentira.
Mais uma vez estou aqui, aberto a você, te permitindo ser algo em minha vida, mas estive pensando, faz dois anos que este divórico começou e segundo você o tal processo nunca foi cancelado, nestes dois anos todas as vezes você me jurou que voltava somente para casa dele e em todas as vezes eu descobri que na verdade você dormiu com ele.
Eu descobri coisas sobre você que você não me contou, eu fui traido por você porém tudo isto esta aqui, guardado dentro de mim e tudo que eu quero agora é a certeza.
Certeza que é pra valer, certeza de que você não voltará atras. Você quer estar comigo? tudo bem, eu também quero estar com você, mas não será de qualquer jeito, quero ver este divórcio acontecer, quero ver você se mexer pra sair dai, e céus, se você me ama mesmo, após dois anos de força unilateral, ta mais do que na hora de você mostrar isto pra mim de uma maneira que não me deixe dúvidas. Eu sei que isto não se pede até porque ou se ama ou não, porém tua boca fala do teu amor mas tuas atitudes me mostram o contrário, se houvessem mais do que palavras você não teria que me diser, pois eu já saberia!
Prove para mim, que você me ama!

Eu nunca

Uma vez você disse que cansada de ser traída você nunca me trairia, você me traiu. Uma vez você me disse que você nunca mentiria pois não suportava mentiras, você mentiu. Você também me disse inúmeras vezes a frase: "desta vez é pra valer, não volto atrás". Duas semanas depois, onde estava você? Você me falou em um discurso ardente sobre inúmeras coisas que você não faria justamente pra ilustrar coisas que você não queria que eu fizesse, todas elas você fez exatamente da maneira que você me disse que não gostaria que eu fizesse. Mas passei a compreender que não importa se eu fiz tudo certo ou se fiz tudo errado, não importa quantas coisas eu tenha te permitido fazer, eu te permiti fazer tudo isto por um motivo bem delimitado e você fez tudo o que fez por um motivo bem delimitado. Você não era obrigada a me amar, o que não foi justo é que em tuas saudades das coisas que eu fazia por você ou na necessidade de um porto seguro você tenha fingido que sim. Eu em parte sempre soube da ausência do teu amor, a pesar da mentira convincente que eu contava para mim mesmo quando via teus olhos.

Você sabia o que ia acontecer se não me desse valor, mas não deu importância. Então, exatamente como você fez com ele durante tanto tempo, eu te dei inúmeros avisos. Não adianta me chamar de inseguro pois minha insegurança sempre foi gerada pela tua ausência de critério, a mesma que é a raiz de todas as nossas mazelas, pois se você soubesse o que quer, tantas feridas e magoas nunca seriam necessárias. Não preciso mais saber da sua vida e você não precisa mais saber da minha pois é mais do que FATO que chegou a hora de seguirmos (não sem dor) e de que não será fácil te ver com outro e você em seu brando amor também não achará facilidade quando me vir nos braços de outra mulher!

Pra você ler

Oi, tem algumas coisas que é difícil falar pra você então decidi escrever. Sabe? O incidente do Beto só me mostrou uma coisa: "é inevitável que aconteçam coisas que eu não estou disposto a aceitar enquanto você estiver seguindo o caminho que você escolheu" não é por ele, é porque eu sei o Homem que eu sou e conheço o  valor que eu tenho e não estou disposto a ficar em casa respeitando alguém que todo o dia esta em uma festa diferente. Se a esta altura você não sabe o que quer, você nunca saberá e sendo assim não há porque permanecer. Eu sou homem de uma mulher só, logo não sou homem de ficar jogado num canto como aquela boneca que você tinha quando era garota que você pegava pra brincar quando tinha vontade.
A partir de hoje, não espere por mim porque eu não esperarei por você, se um dia nos encontrarmos sozinhos ambos e decidirmos ficar juntos e você finalmente souber o que quer, talvez neste dia, mas por hoje o que tenho a dizer é que nosso destino não é ficar juntos e quanto mais permanecermos pior irá ficar.
Se eu te mostrei este texto é porque acabou, é porque cansei mesmo, pois a muito venho levando sozinho nosso relacionamento, toda vez que peço pra você dar um jeito de passar uma noite comigo você nunca consegue alguém pra cuidar das meninas, mas toda sexta e sábado ta numa balada diferente e eu cansei de saber onde você esta, por isto exclui você e a Rafa, porque não é porque não te quero mais que eu ainda não sinta, ou você acha que eu realmente acredito que o negócio da "amiga escada" do Victória Villa foi alguém caindo, você acha que eu não sei que o Beto precisaria de uns 15 minutos só escrevendo pra me mandar tudo que mandou? Eu não sou como eles, a mesma inteligencia que te atraiu é a que me faz deduzir coisas que você não compreende. Eu ia te mandar por mensagem mas decidi te mostrar isto com você aqui porque assim justiça se faz e você também pode me dizer o que achar pertinente, muito embora se eu te mostrei isto é porque tenho certeza de que minha decisão não mudará!

o que eu queria!

o que eu queria ouvir de você não era um: "oi, que você tem feito? estou com saudades!" tente um:

Desculpe
Estou um pouco atrasada
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei
Errada e eu entendo

As suas queixas tão justificáveis
E a falta que eu fiz nessa semana
Coisas que pareceriam óbvias
Até pra uma criança

Por onde andei?
Enquanto você me procurava
Será que eu sei?
Que você é mesmo
Tudo aquilo que me faltava
--

Porque é isto que eu esperava ouvir de você! Mas até isto eu tenho que te mostrar, a coisa certa a me dizer!
Não que haja tempo, nosso tempo acabou, mas seria bom ouvir um pedido de desculpas vindo de você!

Resposta

Você esqueceu de mim, primeiro ele foi prioridade, depois as baladas foram prioridades e eu passei este tempo todo esperando o momento em que eu seria prioridade. Você esqueceu o que eu signifiquei. Não é para um casamento que você não estava pronta, é para um relacionamento sério e acho que nunca estará.
Não adianta dizer que me ama agora, amor não é uma palavra, é um sentimento que gera atitudes! Sim, eu serei feliz, a vida te deu oportunidades demais, só que cansei de incertezas, sei o que não quero pra mim, não quero ficar pensando se você não vai mudar de ideia, se você não vai voltar atras, não quero pensar que tem que estar tudo perfeito porque você irá me deixar se algo der errado. Quero as certezas, a certeza do amor que só atitudes provam.
Me perguntaram se eu acreditava em nós, eu disse que não, porque pra me ganhar de novo vc vai ter que me provar muita coisa e pra isto você teria que tomar uma atitude, mas seu orgulho é maior que seu amor por mim. Seguirei minha vida, procurando não saber da tua e pode ter certeza que não cometerei o mesmo erro, não deixarei ninguém para estar contigo, se você chegar tarde, não me peça isto!

Por um momento



O suor lhe escorria o rosto, a faca ainda estava em suas mãos. Ali parado, olhado o corpo dela desfalecido, sentindo o rosto respingado de sangue, o ódio que minutos antes tomava conta dele foi aos poucos sendo substituído pela noção exata do que fizera. Andava em círculos com as mãos junto a cabeça imaginando o que fazer, tentando entender onde perdera o controle para chegar aquele ponto.
Ana e Luiz se conheceram numa festa, ficaram juntos e de tanto ficarem estabeleceram um relacionamento, ela sempre falava do tamanho do seu amor por ele e só ao lado dela ele se sentia feliz e completo. Quando ela começou a se afastar dizia apenas que os afazeres diários estavam ocupando seu tempo mas que ainda o amava como antes. Ele havia se afastado dos amigos e da família e sua vida agora girava em torno dela e cada noite que passava em casa era um martírio de sofrimentos onde acordado tentava encontra-la na cama. Ela, quando o recebia dizia estar cansada para o amor. Numa noite, cansado de estar só, Luiz foi até a casa dela, ele sabia onde a chave estava e a porta era silenciosa. Entrou com cuidado por pensar que ela estava dormindo as duas da manhã. Ouviu alguns barulhos, ela estava nua, entregue sobre o corpo de um estranho no tapete da sala.
Ele saiu da mesma maneira que entrou, possuído pela raiva, sem rumo pelas ruas com um olhar de dar medo a quem o visse. Em sua casa, ligou para ela e disse que queria vê-la, ela disse que estava cansada, ficara até tarde preparando trabalhos de faculdade e não queria vê-lo pois não seria boa companhia. Ele insistiu mas ela não permitiu.
Durante alguns dias ele fingiu não saber e ela permaneceu mentindo, então, ela precisou de ajuda e veio a sua casa, dormiram juntos e então ela disse sobre o favor que precisava. A semana fora ótima e ele quase esqueceu o que tinha visto, então ele terminou o que ela lhe pediu e a ausência voltou a acontecer. Parado em frente a casa dela percebeu quem era o homem que a visitava. No outro dia foi conversar com ele fingindo não saber e em meio a conversas ele contou que estava namorando uma linda mulher que estava saindo de um relacionamento conturbado com um rapaz que nunca amara, disse que ela ainda não tinha conseguido terminar definitivamente com ele mas já não dormiam juntos a quase um ano.
Luiz não conseguiu aceitar, aquelas palavras ardiam a seus ouvidos, foi a casa de Ana e ela relutou em recebê-lo pedindo que fosse embora. Ele insistiu na conversa, ela disse que o amava e ele disse que sabia de tudo, ao invés de admitir ela permaneceu mentindo dizendo que estava decepcionada com ele por não acreditar no que ela dizia. Quando não havia mais como negar, ela gritava dizendo que ele tinha invadido a privacidade dela entrando em sua casa sem o seu consentimento, ele gritava palavrões e ela deu as costas para ele dizendo que a conversa estava terminada e que iria fazer o seu jantar. Luiz a seguiu e ela admitiu a verdade zombando dele, ele a segurou pelo pescoço, ela pegou a faca que estava em cima da pia, ele tomou a faca dela e antes que pensasse no que estava fazendo Ana já estava no chão esfaqueada se esvaindo em sangue.
Sem saber o que fazer, Luiz fugiu, mas a culpa o alcançou antes que alguém soubesse o que tinha acontecido, com as roupas ainda sujas de sangue foi ao morro mais alto que encontrou, teve medo, teve receio, mas não conseguiria viver num mundo sem ela, num mundo sem amor, num mundo em que ele fosse responsável por tirar uma vida. Foi então seu próprio juiz e se atirou da montanha. Há coisas que não tem perdão, há atitudes que não há como voltar e ele sabia disto. Enquanto caia ele pensava nela, pensava em si e entendia que fora uma atitude covarde mata-la e mais covarde ainda se atirar daquela maneira, entendeu então que não era um homem e sim um garoto e percebeu que não tivera coragem nem mesmo de enfrentar as consequências dos seus atos.

Autor: Arthur Lingard